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Meta lança IA que roda no PC sem internet

Meta lança IA que roda no PC sem internet

A Meta anunciou nesta segunda-feira (10) o Muse Glimmer, um novo modelo de inteligência artificial de pesos abertos que roda diretamente em computadores. A ideia é diminuir a dependência de servidores na nuvem e levar recursos de IA para máquinas que tenham apenas uma placa de vídeo.

O modelo foi pensado para executar tarefas de agentes, em que a IA realiza uma sequência de ações para cumprir um objetivo. De acordo com a Meta, o Muse Glimmer funciona em Macs e PCs, sem precisar de uma infraestrutura de servidores dedicada.

A iniciativa faz parte da aposta da empresa em modelos de pesos abertos. Nesse formato, partes centrais do sistema ficam disponíveis publicamente, o que facilita a adaptação por desenvolvedores e empresas. Mark Zuckerberg disse que o Muse Glimmer é apenas o começo. A Meta prepara modelos maiores e deve liberar em breve os pesos do Muse Spark 1.2, descrito como uma versão mais avançada da tecnologia.

A Meta já apoiava o ecossistema de modelos abertos, mas a recepção negativa do Llama 4 no ano passado fez a empresa rever a estratégia. O Muse Spark 1.2 foi desenvolvido por uma equipe de “superinteligência” criada no ano passado, com investimento alto para recolocar a Meta na disputa pelo avanço da IA.

Meta investe em modelos de pesos abertos

A aposta coloca a Meta em posição diferente de concorrentes como OpenAI, Anthropic e Google, que mantêm seus principais modelos em sistemas fechados. Nos modelos de pesos abertos, desenvolvedores têm mais liberdade para adaptar a tecnologia a diferentes usos.

Zuckerberg também cita o avanço da concorrência chinesa como motivo para ampliar o acesso a modelos de IA. Entre os modelos abertos que rivalizam em desempenho com os sistemas fechados dos Estados Unidos estão o Kimi K3, da Moonshot, o Qwen3.8-Max, da Alibaba, e o V4-Flash, da DeepSeek.

O interesse por modelos abertos também passa pelos custos crescentes dos serviços de IA e por incidentes de segurança recentes envolvendo empresas como Anthropic, OpenAI e a própria Meta, o que aumentou a preocupação com a dependência de sistemas externos.

Um caso com a Hugging Face ilustra esse cenário. A plataforma sofreu um ataque atribuído a um modelo da OpenAI e usou um modelo chinês de pesos abertos para lidar com a ameaça. Sistemas fechados podem impor restrições em aplicações de cibersegurança, o que limita as opções disponíveis.

Diante disso, Zuckerberg anunciou que a Meta vai criar uma estrutura de governança para o lançamento de seus sistemas de IA. Diretores independentes terão poder para aprovar os critérios de segurança antes da liberação pública de qualquer modelo.

Meta cria fundo de US$ 1 bilhão para comunidades

O anúncio do Muse Glimmer veio junto com a criação de um fundo de US$ 1 bilhão para apoiar comunidades afetadas pela expansão dos centros de dados da Meta nos Estados Unidos.

A empresa pretende investir até US$ 145 bilhões em infraestrutura de IA neste ano, mas a expansão dos data centers enfrenta resistência em algumas regiões por causa do impacto das construções. O fundo busca reduzir conflitos e apoiar as comunidades que recebem as instalações.

Zuckerberg também pediu mudanças nas políticas dos EUA sobre construção de infraestrutura, uso de dados e destilação de modelos, técnica que transfere conhecimentos de sistemas maiores para modelos menores e mais eficientes. Para o executivo, as dificuldades para construir novos centros de processamento podem colocar os Estados Unidos em desvantagem diante da China. A Meta defende menos obstáculos regulatórios e mais apoio às comunidades para acelerar a expansão da infraestrutura de IA no país.

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