A Vivo está em negociação com a SpaceX para oferecer no Brasil a tecnologia Direct-to-Device (D2D). Essa tecnologia permite conectar celulares diretamente aos satélites da Starlink sem a necessidade de antenas externas. Se as tratativas avançarem, a operadora pode ser a primeira do país a comercializar esse tipo de serviço.
A movimentação ocorre após a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) autorizar a Telefônica Brasil, controladora da Vivo, a realizar testes da tecnologia em todo o território nacional. O período de testes vai de 19 de julho a 22 de outubro.
A autorização permite o uso de até 50 terminais móveis durante os testes. O ato da Anatel não identifica a empresa responsável pelo segmento satelital, mas fontes ouvidas pelo Tele.Síntese afirmam que a negociação envolve a SpaceX.
Os experimentos utilizarão as frequências de 2.567,5 MHz e 2.687,5 MHz, ambas com largura de faixa de 5 MHz e potência máxima de transmissão de 100 watts. O uso ocorrerá em caráter secundário, sem proteção contra interferências de sistemas primários. A Vivo deverá interromper as transmissões se causar interferências em serviços já existentes.
Durante o período de testes, a operadora terá de compartilhar informações técnicas com a Anatel, comunicar eventuais problemas e apresentar um relatório detalhado ao final do experimento. A agência também publicou uma retificação que permite a futura exploração comercial da tecnologia dentro das regras do ambiente regulatório experimental (sandbox) e da regulamentação vigente.
Como funciona o Direct-to-Device
O Direct-to-Device permite que smartphones compatíveis se conectem diretamente a satélites de baixa órbita quando não houver cobertura das redes móveis convencionais. Os satélites funcionam como uma extensão da rede celular em regiões remotas ou de baixa densidade populacional, onde a instalação de antenas terrestres costuma ser economicamente inviável.
A tecnologia pode oferecer mensagens, chamadas e acesso à internet, mas sua capacidade de transmissão ainda é inferior às redes 5G convencionais. O D2D foi concebido como complemento das redes móveis, não como substituto.
A TIM e a Claro também mantêm conversas com a SpaceX e outras empresas de satélites de baixa órbita para avaliar ofertas semelhantes no Brasil. A tecnologia faz parte do sandbox regulatório da Anatel, ambiente criado para permitir testes supervisionados antes da definição de regras permanentes para novos serviços.
Recentemente, a agência atualizou o Plano de Destinação, Distribuição e Canalização de Frequências (PDFF). Pela primeira vez, o plano inclui a previsão de uso de faixas destinadas ao Direct-to-Device no país, preparando o caminho para a chegada comercial da tecnologia.
