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Neymar: legado individual ou coletivo na seleção?

A cena de Neymar aos prantos, consolado por familiares após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, somada à declaração do atleta de que “agora acabou”, indica que o ciclo do craque na seleção brasileira chegou ao fim.

— Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui — disse Neymar à GE TV na saída do campo, embora não tenha oficializado posteriormente.

Antes mesmo de chegar aos Estados Unidos, Neymar já tratava este Mundial como sua “última dança”. A história começou no mesmo MetLife, em Nova Jersey, há 16 anos, no dia 10 de agosto de 2010, em amistoso contra os EUA, e terminou no domingo, na derrota por 2 a 1 para a Noruega, com um gol dele no apagar das luzes.

Companheiros valorizam

O discurso de Neymar no vestiário brasileiro pós-derrota foi visto como forte indício de que o camisa 10 está convicto da aposentadoria na seleção. Perante os companheiros, ele chorou, agradeceu e se despediu.

— Neymar é meu ídolo. Sempre quis jogar com ele. Foi um momento marcante estarmos juntos na seleção. Desejo sorte para ele no decorrer da temporada e na vida — disse Vini Jr. após a eliminação.

Considerado injustiçado por não ter sido convocado para a Copa de 2010, Neymar sempre foi sinônimo de esperança para os torcedores. Desde a estreia com Mano Menezes até a última partida, o craque carregou a expectativa de levar o Brasil de volta às grandes conquistas. Em termos concretos, o objetivo não foi concluído, mas ele foi o expoente de sua geração e manteve a herança do “jogo bonito”.

Números e debate sobre o legado

Com 80 gols em 130 partidas, Neymar deixou Pelé para trás (77 gols) e se tornou o maior artilheiro da história da seleção. Deu também 58 assistências, gerando uma média superior a uma participação em gol por jogo.

Mesmo o topo da artilharia abre espaço para debate. De seus 80 gols, mais da metade (46) foi anotada em amistosos. Em grandes torneios, foram 18. Já em jogos de mata-mata, foram cinco bolas na rede: contra Espanha, na Copa das Confederações de 2013; e, em Copas do Mundo, contra México em 2018, Coreia do Sul e Croácia em 2022, e Noruega em 2026. Ronaldo, com 62 gols pelo Brasil, anotou 23 em amistosos, uma proporção de 37% contra 57% de Neymar.

Em termos de título, Neymar conquistou a Copa das Confederações de 2013 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016. O Fenômeno tem como diferencial o penta em 2002, como protagonista, o tetra de 1994, como reserva, e a artilharia do Brasil em Mundiais, com 15 gols. Pelé é o jogador com mais Copas na história, com os títulos de 1958, 1962 e 1970.

Incógnita no Santos

Se na seleção a história de Neymar parece ter tido um ponto final, no Santos o ponto é de interrogação. Campeão da Libertadores, da Copa do Brasil e de estaduais na primeira passagem, o atacante não conseguiu grandes êxitos desde que retornou ao futebol brasileiro, no ano passado. O clube deseja a permanência do craque, que possui contrato até dezembro.

Havia a expectativa de uma maior participação de Neymar no Mundial para que as partes conversassem sobre os planos. Com a eliminação precoce, a diretoria aguarda uma sinalização do estafe do atleta.

A questão passa pelo planejamento pessoal de Neymar. O atacante já negociou com clubes dos EUA, movimento semelhante ao do volante Casemiro, que acertou com o Inter Miami de Lionel Messi.

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