A Samsung registrou lucro operacional de aproximadamente R$ 191 bilhões no primeiro trimestre de 2026, impulsionada pela demanda global por inteligência artificial. Apesar do resultado recorde, a empresa enfrenta uma crise trabalhista. Cerca de 48 mil funcionários devem iniciar uma greve de 18 dias a partir de 21 de maio, após o fracasso das negociações com o principal sindicato da empresa na Coreia do Sul.
O principal motivo da paralisação é a disputa sobre bônus e participação nos resultados. Atualmente, a Samsung limita os bônus anuais ao equivalente a 50% do salário anual dos trabalhadores. O sindicato pede o fim desse teto e quer que a companhia destine 15% do lucro operacional anual para bonificações aos empregados.
Segundo os representantes sindicais, os funcionários tiveram papel fundamental no crescimento da receita da empresa em meio ao boom da inteligência artificial e da alta demanda por chips de memória. A comparação com a rival SK Hynix também aumentou a pressão interna, já que trabalhadores da concorrente receberam bônus maiores no último ano.
A Samsung, porém, classificou as exigências como “excessivas” e afirmou que aceitar os pedidos poderia comprometer os princípios de gestão da companhia. Mesmo após mediação do governo sul-coreano, as partes não chegaram a um acordo.
A tensão entre empresa e sindicato vinha crescendo desde a primeira metade de maio. As ações da Samsung despencaram 9,3% diante das incertezas sobre a capacidade de produção da empresa. O temor dos investidores está ligado principalmente ao impacto que a greve pode causar na fabricação de chips de memória, um dos segmentos mais importantes para a economia da Coreia do Sul.
O governo sul-coreano tentou intermediar novas negociações por meio da Comissão Trabalhista do país. Autoridades como o primeiro-ministro Kim Min-seok e integrantes do Ministério da Indústria demonstraram preocupação pública com os efeitos econômicos da paralisação.
Mesmo antes do início oficial da greve, a Samsung reduziu em 50% a força de trabalho em fábricas de chips. Especialistas da consultoria TrendForce estimam que a greve pode afetar cerca de 4% da produção global de DRAM e aproximadamente 3% da fabricação mundial de memória NAND, usada em SSDs e dispositivos de armazenamento.
A situação também pode beneficiar concorrentes como a SK Hynix e a Micron Technology, que podem absorver parte da demanda global caso clientes busquem alternativas para garantir o fornecimento de chips. Com a possível redução na oferta global de semicondutores, especialistas alertam para o risco de aumento nos preços de componentes como SSDs, memórias DDR5 e placas de vídeo.
