A “sopa de letrinhas” da eletrificação automotiva já apresenta ao consumidor brasileiro diversas siglas conhecidas, como BEV, HEV, PHEV e MHEV, usadas para classificar carros elétricos e híbridos. Agora, uma nova nomenclatura começa a ganhar espaço no país: EREV.
Adotada no Leapmotor C10, um dos modelos mais vendidos atualmente no Brasil, a sigla vem do inglês Extended Range Electric Vehicle, ou veículo elétrico de autonomia estendida. Na prática, essa arquitetura tem despertado o interesse das montadoras por unir vantagens dos carros elétricos com a conveniência de não depender totalmente da infraestrutura de recarga.
Diferença entre EREV e híbrido plug-in
Embora pareçam semelhantes, as tecnologias de um carro EREV e de um híbrido plug-in são distintas. Ambos podem ser recarregados na tomada, mas as semelhanças terminam aí.
Nos híbridos plug-in tradicionais, o motor a combustão pode mover as rodas diretamente em várias situações, dividindo a tarefa com o motor elétrico conforme a velocidade, a carga da bateria e a demanda de potência. Já nos modelos EREV, a propulsão elétrica é sempre a prioridade, com o motor a combustão atuando principalmente na geração de energia.
Funcionamento do sistema EREV
Em um veículo com sistema EREV, o motor elétrico é o responsável por movimentar as rodas. O motor a combustão opera, na maioria das vezes, como um gerador, produzindo eletricidade para recarregar a bateria quando o nível de carga diminui.
Essa configuração mantém a experiência de condução típica de um elétrico, com aceleração imediata, silêncio e torque linear. De acordo com o U.S. Department of Energy (DOE), os veículos de autonomia estendida usam um gerador a combustão para ampliar a distância percorrida sem depender apenas da recarga externa.
EREV e a ansiedade de recarga
Um carro elétrico com tecnologia EREV pode ser a solução para quem sofre com a chamada “ansiedade de recarga”, uma das principais preocupações de quem pensa em migrar para um elétrico.
Se a bateria estiver próxima do fim durante uma viagem, o gerador entra em ação automaticamente, permitindo que o motorista percorra centenas de quilômetros adicionais antes de precisar abastecer ou recarregar. Essa combinação entre condução elétrica e autonomia ampliada torna o sistema EREV uma das apostas da nova geração de carros eletrificados.
Modelos com sistema EREV
O sistema de autonomia estendida já é adotado por várias marcas, quase todas chinesas, como Deepal, da Changan, AITO, Avatr e Exeed. Entre as montadoras tradicionais, a BMW foi a primeira a usar a tecnologia, no modelo i3 REx, já fora de linha.
No mercado brasileiro, por enquanto, o Leapmotor C10, SUV chinês que integra o grupo Stellantis, é o único a oferecer o sistema EREV. O modelo já foi testado pela equipe do CT Auto, que se surpreendeu com o desempenho do veículo.
