Dark Horse tem registro na Ancine, mas cinema ainda espera
Filme sobre Bolsonaro ganhou o ROE em 7 de agosto, mas outras etapas e uma apuração paralela ainda travam a chegada às salas
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) concedeu, em 7 de agosto de 2026, o Registro de Obra Estrangeira (ROE) ao filme Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha eleitoral de 2018. O documento é uma exigência para obras internacionais que buscam circulação comercial no Brasil, mas não equivale à liberação para exibição nos cinemas.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh e estrelado por Jim Caviezel no papel do ex-presidente, o longa teve o pedido de registro protocolado em 22 de junho, segundo apurou o Metrópoles. A análise levou cerca de um mês e meio até a concessão do ROE.
O que ainda falta para o filme chegar às salas de cinema
Com o ROE em mãos, a distribuidora Europa Filmes precisa agora solicitar o Certificado de Registro de Título (CRT), documento que autoriza de fato a exibição e a comercialização de obras reguladas pela Ancine. Até a publicação das reportagens que embasam esta matéria, o pedido ainda não havia sido feito.
Ao Metrópoles, o diretor da Europa Filmes, Wilson Feitosa, disse que a empresa não tem prazo definido para dar esse próximo passo. "Não temos prazo para solicitar. Estaremos fazendo no momento certo", afirmou o executivo.
Depois do CRT, ainda restará um terceiro obstáculo: o pedido de classificação indicativa junto ao Ministério da Justiça. Só depois de vencidas essas três etapas a distribuidora poderá negociar salas e definir uma estratégia de lançamento comercial no país, conforme detalhou a Ancine ao Metrópoles.
Investigação paralela sobre filmagens no Brasil
Enquanto o processo de registro avança, a Ancine mantém uma apuração distinta sobre as filmagens da produção em território nacional. Segundo o Brasil Paralelo, o órgão recebeu uma denúncia de que a obra teria sido rodada no Brasil sem a comunicação prévia exigida por lei para produções estrangeiras.
A Ancine tentou duas vezes contato com a produtora Go Up Entertainment para obter esclarecimentos, sem sucesso, o que levou à abertura de um auto de infração. A agência ressalta que isso não representa uma conclusão de irregularidade: o processo segue em andamento e a produtora ainda terá direito de apresentar defesa.
Caso a irregularidade seja confirmada ao final da apuração, as penalidades previstas em lei variam de multa entre R$ 2 mil e R$ 100 mil até restrições à exibição da obra ou suspensão da atividade, conforme listado pelo Brasil Paralelo. Por ora, segundo a própria Ancine, nada impede o lançamento do filme no Brasil.
Polícia Federal e STF também acompanham o caso
O filme é alvo ainda de outra frente de investigação, agora fora da Ancine. A Polícia Federal estabeleceu prazo para que a agência preste esclarecimentos sobre pessoas físicas e jurídicas ligadas ao projeto, incluindo produtores, distribuidoras e representantes legais, além de informações sobre eventual uso de incentivos fiscais ou recursos públicos federais, segundo o Metrópoles.
A apuração da PF ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas ao então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nas quais o político teria cobrado recursos do empresário para financiar a produção. Em decorrência disso, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou no final de julho a abertura de um inquérito para investigar os valores enviados por Vorcaro ao projeto, atendendo a pedido da PF com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, conforme informou o Pleno.News.
O que muda na prática e o que ainda falta confirmar
Por enquanto, o avanço burocrático não altera a rotina de quem espera assistir ao filme no cinema: Dark Horse continua sem data de estreia no Brasil, e a própria distribuidora afirma não ter prazo para dar o próximo passo formal. O ROE concedido em agosto é apenas um degrau entre vários que ainda precisam ser vencidos antes de qualquer sessão pública.
Ficam pendentes de confirmação o resultado da apuração da Ancine sobre a comunicação das filmagens, o desfecho do inquérito aberto por ordem do STF e a própria decisão da Europa Filmes sobre quando solicitar o Certificado de Registro de Título. Até que essas etapas avancem, não há como cravar se, e quando, o longa chegará às telas brasileiras.
Fontes consultadas
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