O carro elétrico está cada vez mais presente no dia a dia dos brasileiros, mas ainda gera dúvidas comuns. Uma delas é se esse tipo de veículo possui câmbio e quantas marchas tem. Diferente dos modelos a combustão, que usam transmissões manuais ou automáticas com várias relações, a maioria dos elétricos acelera de forma contínua, sem interrupções perceptíveis na entrega de potência. Isso significa que, nesses casos, eles têm marcha única.
Essa característica leva muita gente a pensar que os carros elétricos não têm câmbio. Essa afirmação, porém, não é totalmente correta. Embora a maior parte dos modelos use apenas uma relação de transmissão, ainda existe um conjunto mecânico que transmite a força do motor às rodas. A diferença está na simplicidade desse sistema.
Maioria dos carros elétricos tem somente uma marcha
O propulsor elétrico trabalha em uma faixa de rotação muito mais ampla do que um motor a gasolina ou etanol. Enquanto o motor a combustão precisa de várias marchas para se manter na faixa ideal de torque e potência, o elétrico opera de forma eficiente desde baixas rotações até mais de 15 mil rpm em alguns projetos.
Por isso, a solução usada pela maior parte das fabricantes é um redutor de velocidade com relação fixa, chamado de single-speed transmission. De acordo com a SAE International, essa configuração reduz perdas mecânicas, diminui a complexidade do conjunto e melhora a eficiência energética do sistema de tração. Na prática, há menos componentes sujeitos a desgaste. Não existem embreagem, conversor de torque ou trocas constantes de engrenagens durante a condução. O resultado é uma aceleração linear, respostas imediatas ao acelerador e menor necessidade de manutenção. A simplicidade do conjunto também ajuda a reduzir ruídos e vibrações.
Alguns carros elétricos já usam câmbio com duas marchas
Apesar de a transmissão de marcha única ser predominante, há exceções. Modelos de alto desempenho, como o Porsche Taycan, usam uma transmissão de duas velocidades no eixo traseiro. A primeira marcha favorece acelerações mais fortes em baixas velocidades, enquanto a segunda reduz a rotação do motor em velocidades mais altas. Essa arquitetura, no entanto, continua sendo uma exceção na indústria. Fabricantes como BYD, GWM, Volvo, Chevrolet, Hyundai, Kia e Tesla usam, na maioria, transmissões de relação única em seus elétricos de passeio.
