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Bruno Gagliasso questiona: “Que homens não choram?”

Bruno Gagliasso precisou sair de casa enquanto rodava o filme “Por um fio”. Na produção, que estreia em outubro e é baseada no livro homônimo de Drauzio Varella, o ator de 44 anos vive o irmão do médico, que morre de câncer. Na tela, sua interpretação comove à medida em que a doença avança e ele vai escalando o estado de tristeza. O trabalho mexeu com o corpo — ele perdeu 24 quilos — e com a cabeça. O ator virou uma “manteiga derretida”. Nem a família aguentou. Bruno assume que leva o personagem para casa. Não à toa, diretores o definem como “intenso”.

Tudo indica que o vasto cardápio de personagens que ele encarna em diferentes filmes e séries inéditos vem aí para reiterar essa intensidade: líder estudantil no longa “Honestino” (previsto para estrear no segundo semestre nos cinemas); escravocrata moderno em “Corrida dos bichos” (em agosto, na Amazon Prime); versão branca e de olhos azuis do herói nacional em “Makunaíma XXI” (no final do ano, na telona); perigoso dono de construtora na série “Rauls” (no fim do ano, na Netflix); e playboy traficante da sétima temporada de “Impuros” (em 2027, na Disney+).

Bruno participou do “Conversa vai, conversa vem”, videocast do GLOBO, que foi ao ar no dia 21 de maio, às 18h, no Youtube e no Spotify. Em um trecho da entrevista, ele falou sobre a preparação para o filme. “Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro”, disse.

O ator comentou como “Por um fio” mexeu com ele. “Não tinha como não ir fundo. É uma história de amor entre irmãos que mostra a fragilidade da vida. Mexeu demais comigo. Meu personagem morre de câncer, perdi amigos para a doença, que todo mundo conhece. Olhar para os meus filhos foi dolorido. Eu chorava muito. Estava insuportável. Queria abraçar e beijar eles o tempo inteiro. Do nada, falavam comigo e eu começava a chorar.” Ele disse que não foi a primeira vez. “Em outros personagens, também tive que me afastar. Esse foi um dos personagens que me fez decidir escolher, daqui pra frente, só papéis que me emocionem, que me transformem como ator ou transformem as pessoas.”

Sobre transitar em papéis de universos tão diferentes, Bruno afirmou: “Está tudo dentro da gente, né? Procuro existir e não atuar. Lógico que ao fazer um viciado em ‘Impuros’ não vou cheirar cocaína. Mas preciso estar ali, presente. Posso fingir, mas não quero, e quem está assistindo, percebe.” Ele disse que preparadores o ajudam nesse encontro consigo mesmo. “É por isso que saio de casa: fico longe porque gosto de emburacar. Admiro grandes atores que conseguem separar. Tony Ramos, por exemplo… Eu levo o personagem para casa, não sei separar meu trabalho. Preciso ficar pensando nele 24 horas.”

Sua primeira produção no cinema, “Clarice vê estrelas”, tem a ver com sua filha, Titi (ele também é pai de Bless e Zyan) e o jogador Vini Jr. “De todas as histórias que estou contando, essa é a mais afetiva. Fiz esse filme pra ela. Colocar uma menina preta como protagonista… É a história de uma família preta, de classe média, com 80% do elenco e 90% da equipe preta. É um filme antirracista sem falar sobre racismo. Botar essa criança preta para sonhar, mexer no imaginário e não para sofrer, passar fome, tomar tiro… É difícil ver isso no cinema.” Ele contou que procurou Vini Jr. e o jogador topou entrar como produtor associado na hora.

Sobre a importância de contar a história do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido político, Bruno disse: “Se estive do lado da escória da História (em ‘Marighella’, interpretou um torturador), também quero estar do lado certo. Honestino morreu 50 anos atrás. E a nossa luta ainda é por justiça, liberdade e democracia até hoje. Temos que falar sobre isso, colocar o foco nessas pessoas que deram a vida.”

O ator também falou sobre desapego estético. “Óbvio! Principalmente no começo da carreira. Hipocrisia dizer que não. As pessoas te encaixam onde querem e você se deixa ser encaixado ou não. Perdi muito protagonista de novela das oito porque falava: ‘Não quero fazer o galã, prefiro um papel menor’.” Sobre sua estatura, ele afirmou que já foi uma questão, mas hoje não é mais. “Cansei de usar salto. Pra personagem, então… Essas questões são fortes quando se é mais novo, está se descobrindo e ainda acha que precisa ter altura para fazer um galã de novela.”

Sobre o autor: Equipe de Produção

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