O preço dos smartphones no Brasil é alto, mas nem todo o valor pago em um celular novo se torna lucro. Para entender essa matemática, é preciso analisar o Custo Global de Produção, conhecido como BoM (Bill of Materials, ou Fatura de Materiais). Ele soma os valores físicos do aparelho, como tela, chip e chassi. A diferença entre o BoM e o preço final, no entanto, não é lucro puro.
Não há dados oficiais para o mercado brasileiro, mas consultorias como a Counterpoint estimam os gastos de produção e as margens de lucro. Em celulares premium, a tela e os sensores de câmera são os itens mais caros, representando quase um terço do gasto com peças. Um processador avançado, como o Snapdragon 8 Elite Gen 5 for Galaxy, presente no Galaxy S26 Ultra, ou o chassi de titânio de aparelhos como o iPhone 16 Pro ou Pro Max, também elevam os valores iniciais.
Com base nessas estimativas, é possível ter uma ideia da margem bruta e líquida de algumas empresas. No caso da Samsung, em um smartphone topo de linha, a margem bruta fica entre 40% e 45%, enquanto a margem líquida — após despesas operacionais, impostos e logística — gira em torno de 15% a 20%. A Samsung vende muitos celulares de entrada (linha Galaxy A), o que reduz o lucro médio por aparelho. Já a Apple adota uma estratégia de aparelhos premium com preços mais altos, alcançando cerca de 50% a 55% de margem bruta e 25% a 30% de margem líquida.
Onde o lucro se reduz
O cenário no Brasil agrava essa situação. Thiago Muniz, especialista da B2B Stack, afirma que os dados exatos de lucro são confidenciais, mas o verdadeiro abismo financeiro está na alta carga tributária. Reinaldo Sakis, diretor da IDC Latin America, reforça que, para evitar a taxa de importação, 95% dos celulares vendidos no país são montados aqui. Mesmo assim, impostos como ICMS e PIS/COFINS ultrapassam 22%.
O consumidor brasileiro exige muita atenção e aciona bastante a assistência técnica oficial. Sakis aponta que os gastos globais com marketing ficam entre 3% e 5%. Toda essa estrutura consome a margem de cada aparelho vendido. Em 2026, o quadro não mudou, e os custos de produção continuam subindo. A crise dos chips, as tensões geopolíticas e conflitos pelo mundo dificultam a logística, encarecendo a cadeia de suprimentos e ajudando a manter os preços altos.
“O preço de venda é uma combinação complexa de fatores. Como as memórias afetam proporcionalmente mais os produtos de entrada, teremos menos disponibilidade desses em 2026 e mais oferta de modelos médio e premium. O equilíbrio virá do mix de produtos, com entrada mais caros e premium menos ajustados. Globalmente, há poucos motivos para baixar preços e muitos para elevá-los, impactando o Brasil”, explica Reinaldo Sakis.
