A Gramado Summit 2026 abre com debates sobre Creator Economy
A Gramado Summit 2026 começou nesta quarta-feira (6), no Serra Park, com discussões direcionadas ao mercado de influência. Em vários palcos, a Creator Economy foi o tema central de conversas sobre o futuro da criação de conteúdo, o engajamento e a relação entre empresários e influenciadores.
Os painelistas Rafael Sbarai, head de marketing de produto da LiveMode e do CazéTV, e Thales de Barros Moura, executivo de Influencer, Marketing e Creator Economy do CapCut, apresentaram seus pontos nos palcos Share e Geek. Entre os assuntos abordados estavam a manipulação de métricas nas redes sociais, o uso de inteligência artificial para simular engajamento orgânico e a mudança de postura de marcas, que passaram a tratar criadores de conteúdo como sócios estratégicos e não apenas como mídia paga.
Engajamento falso e métricas que enganam
No painel “O perigo do astroturfing na Creator Economy”, Rafael Sbarai fez um alerta sobre a manipulação de métricas nas redes sociais. Segundo ele, o chamado “astroturfing” – prática de simular engajamento orgânico por meio de reações pagas ou automatizadas – já compromete avaliações de produtos, comentários e até guias de viagem gerados por IA.
Para o especialista, o problema vai além dos robôs: existem influenciadores que pagam por comentários em grupos fechados de WhatsApp e Telegram para inflar resultados de campanhas. Ele defende que marcas e criadores precisam separar métricas de reação de métricas de compromisso real. “Reação não é sinônimo de compromisso”, afirmou, explicando que quem se compromete com o produto dificilmente abandona a plataforma e é considerado o usuário de alto valor para as marcas.
Segundo Sbarai, a pergunta que todo criador e empresa precisa responder é: “Se o seu produto deixar de existir amanhã, alguém vai sentir falta?”. Refletir sobre a estratégia e a qualidade do engajamento é essencial em uma economia digital que disputa a atenção do público.
Creators como sócios de negócios
No Palco Geek, Thales de Barros Moura apresentou a evolução da relação entre marcas e criadores. Para ele, algumas empresas perceberam que campanhas pontuais desperdiçam potencial e passaram a trazer influenciadores como sócios estratégicos, com participação nos negócios. “Os criadores perceberam que tinham um poder muito grande de mexer o ponteiro dos negócios e se empoderaram”, disse Moura ao Canaltech.
Ele citou casos como o influenciador Toguro ter virado Head de Comunicação e Conteúdo da Cimed e influenciadores que viraram sócios na Furia Esports como exemplos desse movimento, que ainda é exceção, mas tende a crescer.
Sobre o papel da IA, o executivo do CapCut afirmou que a tecnologia democratiza a produção audiovisual e serve como repertório adicional, mas não substitui autoria e originalidade humana. “O que vai fazer diferença no final é se tem autoria criativa humana capaz de gerar um conteúdo que conecte outro ser humano”, avaliou.
A Gramado Summit ocorre até sexta-feira (8) e é um dos principais eventos de inovação e tecnologia do Brasil, realizado na Serra Gaúcha. O Canaltech é parceiro de mídia desta edição e acompanha a cobertura completa do encontro.
