John Textor, proprietário da SAF do Botafogo, foi oficialmente afastado do cargo de comando da Eagle Football Holdings (EFH) no final de janeiro. A decisão foi tomada após a Ares Management acionar uma cláusula de proteção ao crédito em meio a um processo interno na justiça britânica, devido à piora da situação financeira e societária da holding. Textor classificou a situação legal como uma “guerra civil”.
O afastamento de John Textor do comando operacional da Eagle marca uma virada no conturbado processo financeiro da empresa. O documento que oficializou seu afastamento confirma a data do final de janeiro.
Segundo relatos do GLOBO, a ação foi provocada por uma reorganização interna iniciada por Textor, que afastou membros independentes da estrutura de governança da Eagle. A decisão foi vista como um risco adicional pelos credores, levando a Ares a exercer garantias contratuais já previstas para situações de descumprimento ou deterioração da governança.
Importante destacar que, embora a Eagle continue sendo a controladora do Botafogo, a mudança não implica automaticamente na troca de controle da SAF alvinegra. A gestão, atualmente sob o comando de John Textor, só pode ser alterada por decisão do próprio Conselho da SAF ou pelo fim da decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que atualmente protege a composição do Conselho e a estrutura de governança.
Portanto, mesmo com a Ares assumindo o controle da Eagle como credora, a administração do Botafogo permanece inalterada por enquanto. No entanto, Textor pode ser removido do cargo posteriormente.
Após a decisão se tornar pública, Textor se manifestou por meio de uma longa nota oficial na qual explicou as decisões recentes, como as demissões de Hemen Tseayo e Stephen Welch, e lamentou que o Botafogo tenha sido “deixado à deriva”.
Textor afirmou que a decisão resultou em uma “lamentável guerra civil” que transformou uma organização esportiva solidária, colaborativa e bem-sucedida em um atoleiro financeiro. Ele criticou um “conselho secreto” na França que, segundo ele, constitui uma clara violação da lei francesa.
Na nota, Textor também apresenta uma cronologia para ajudar o público a entender os registros conflitantes de documentos na Companies House, no Reino Unido. Ele se opõe ao arquivamento de documentos frívolos por credores terceirizados na Companies House, que buscam restringir os direitos dos acionistas das empresas do Grupo Eagle.
No dia 25 de janeiro de 2026, Textor demitiu os diretores da Eagle Bidco. Ele tomou a decisão de remover dois membros altamente qualificados do conselho de administração para proteger os interesses de todas as partes interessadas da Eagle Football.
A longa nota de Textor contém vários outros detalhes, incluindo a descoberta de um “Acordo Paralelo” secreto que resultou em mudanças na governança corporativa e no controle do Olympique Lyonnais, violações da lei francesa, erros materiais nas demonstrações financeiras da EFG e a remoção de diretores independentes da Eagle Football Holdings Bidco.
Fonte: O Globo
